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domingo, 13 de abril de 2008

[...] A festa já acabara há muito tempo, mas ela continuava a dançar. Aos olhos de todos sozinha, mas ela nunca estivera mais acompanhada, ele sempre estava ali, ao seu lado. Respirava fundo, podia tocar o infinito, ainda sentia seu perfume. Ele havia prometido que jamais a abandonaria, e ela confiava nele. Os pés já doíam, mas não queria sentir, e rodava. Não rodava para esquecer, nem para lembrar. Ia além do tato e do olfato. Dançava para viver. Mais uma noite o mundo era apenas os dois. Um mundo de sonhos e de uma realidade que não mais existia. Mas ela sempre viveria nesse mundo. Havia quem dissesse que estava louca, quando na mesa do café da manhã, colocava dois lugares, ou quando deixava a porta da casa aberta para que ele pudesse entrar. Um fundo de loucura, que os outros talvez passassem a vida sem conhecer. Azar deles. Mesmo em planos separados, a ligação entre eles ainda era intensa para ela. Os vizinhos colocavam todo seu cotidiano, como um produto de drogas. Eles jamais entenderiam. Ela dizia coisas ao vento, pois sabia que ele estaria ouvindo, e a cada arrepio sabia que era sua resposta. Perdera todo o medo, de morrer, de chorar, de amar. Queria ir ao seu encontro, mas ele a pediu que continuasse e que lutasse por todos os sonhos que um dia havia sido dos dois, e que quando chegasse a hora, ele buscá-la-ia enquanto estivesse dormindo, e que poderiam viver juntos por toda a eternidade. A insônia aumentou depois de algum tempo. Contava no relógio. Esperava pela hora, mas sequer sabia qual era. Sabia apenas que teria o abraço mais aconchegante outra vez. Meses se passaram até o dia de sua formatura. O grande dia. Sua família e amigos a esperavam no salão. Ela não apareceu. Estava correndo para longe, aonde as luzes da cidade não chegam, onde só podia ouvir os animais noturnos, e ela sorria como nunca. Ao parar começou a falar, e ele a estava ouvindo. “Eu consegui, eu consegui! Estou aqui.”, dizia ela, e cansada, adormeceu. O vento estava forte como nunca, mas a tocava suavemente. Ela jamais acordou.

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