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quarta-feira, 16 de abril de 2008

A casa parecia tão pequena, já andara por ela milhares de vezes. O mesmo sentimento de novo. Não sentia mais o forte cheiro de álcool, era como estar morto. Lembrou de domingo, a regra era esquecer. O nó já havia sido feito e desfeito. O ponto de saturação se estabeleceu. Toda vida a mesma historia, cansou o coração. Não podia mais suportar, não queria mais suportar. Havia sido ferido pelo próprio amor, nada podia ser pior que isso. Estava por um fio, à beira do abismo. Queria ter forças para suportar, mas não conseguia, já sofrera demais, já implorara demais. Há dias não arrumava a cama, sequer levantava, não queria encarar o sol e não conseguir vê-lo brilhar. E a lua? Essa o rejeitou também. Sua televisão repetia a programação, mas dessa vez em preto e branco. Tirou do gancho o telefone, para não ter a dúvida de atendê-lo, caso tocasse. Lembrava de tudo, com ódio e depois felicidade. Tocou a loucura, mas preferiu deixar pra depois. Não estava na hora de deixá-la entrar, na verdade, não estava na hora de nada. Queria chorar, mas meninos não choram. Dessa vez ele chorou. Sentia a melancolia chegar, e esta não podia evitar. Convidou-a para entrar. Pensou no fim da linha. Passou por seus planos uma dose exagerada de antidepressivos regados a whisky. Não podia. Deixar tudo tão fácil para as outras pessoas seria muita falta de egoísmo. Se preocupar com algo a essa altura não faria o menor sentido. Mesmo assim se importava. Virou um ciclo nostálgico. Preferiu dormir. Estava sonhando.

2 comentários:

Eduardo, disse...

Eu particularmente,adoro esse blog
OPSAKPASKSAPOKSAOP
:}

roberto albuquerque. disse...

essa história me é um pouco nostalgica. :F