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sexta-feira, 2 de maio de 2008

As roupas espalhadas pela cama, os olhos fixos no relógio, mesmo sabendo que não havia ninguém esperando. Usou aquilo que mais pareceu favorecer seu corpo. Cantarolava como nos velhos tempos, uma música infantil. Temia não saber mais como é estar sobre um salto. Sabia. E então partiu. Elevou seu nível, uma condessa. Estava como queria estar. Não devia. O talvez das possibilidades lavaram a seco o passado um tanto quanto cômico,do ponto de vista exterior.Escolheu pelo luxo. Desceu do carro sem medo de errar. O vento frio não a impediu de tirar o casaco, queria mostrar todo seu encanto. Há reserva estava feita há dias, não queria correr o risco. Procurava sua mesa, certa do que poderia acontecer. Sentou-se, e fingiu uma ligação. Pediu o melhor vinho, merecia. Sequer olhava para os lados, estava satisfeita. Afinal, três décadas já lhe serviam algum desfrute. Notou movimentação. Gostou. O sossego ficou para trás. Queria badalação, mas com calma. Sentia alegria por tudo. Definitivamente a falta de motivo não fez a noite deixar de ser especial. Logo avistou um belo par de pernas. Nunca vira nada igual. Não havia motivo para se envergonhar, então o tirou para dançar. Tudo pareceu pequeno perto de todo o resto. Estavam em seu quarto, e ela fechou os olhos. Não queria vê-lo. Ele a beijou, meio desajeitado, mas logo passou. Ela sentiu todo o peso sobre seu corpo, e afundava o colchão. Apertava suas pernas. Em êxtase entre a dor e o prazer, onde os dois corpos se serviam, como pontes. Movimentos mais rápidos. Ela sentia tudo e ao mesmo tempo. Encontrou seu pescoço, fez ali seu lar. Toda intensidade era recíproca e contínua. Tocou-se o paraíso. Os olhos continuavam fechados, e as unhas presas em suas pernas. A visão já estava acostumada com o escuro, e então a luz continuou apagada. Não podia vê-lo, não devia estar ali, queria outro. Sentia vontade de rir de tudo isso, mas seria constrangedor. O ritmo estava diminuindo, e ela poderia dormir. Então apenas abriu os olhos e virou para o lado. Ao acordar, notou o quanto outro corpo ali era desagradável, e mesmo com sua presença, a casa continuava vazia, Pegou o telefone dele, mesmo sabendo que nunca ligaria, e ele partiu. Ela procurou algo para distrair, na TV.